
Fonte dos desejos de muita gente…
Diego Badaró é uma mistura improvável de hippie-fora-de-época com homem de negócios bem sucedido internacionalmente. Um cara que se refere à sua fazenda como “floresta encantada”, prefere dormir numa barraca na beira do rio do que dentro de casa (ninguém e contou – eu vi!) e ao mesmo tempo é responsável pleo produto que conquistou espaço nas gôndolas de algumas das lojas mais famosas do mundo, como as do Bon Marché, em Paris.

A diferença de cor, tamanho e texturas dos vários tipos de cacau – que produzirão chocolates bem distintos entre si

Nibs – pedaços da amêndoa – de cacau sendo separados da casca
Representante da quinta geração de cacaueiros – sua família foi tão influente no negócio que é citada no romance Terras do sem fim, de Jorge Amado – Diego, porém, não tem nada do que se poderia imaginar de um fazendeiro-herdeiro. Nada, mesmo: nem roupa de grife, nem carrão do ano, nem jatinho ou apetite por luxo.
Sua fala mansa, sorriso fácil e ar tranquilão são mais facilmente associados a um professor de yoga, por exemplo, do que a um proprietário de seis fazendas e criador de uma das marcas de chocolates orgânicos mais respeitadas mundo afora. No caso, a AMMA.

Diego Badaró, o criador da AMMA, todo feliz por estar batizando suas convidadas com chocolate 85% – ritual de todos que visitam a fábrica, em Salvador

Chocolate 40% cacau sendo porcionado, ainda quente.
Aos 34 anos, Diego vê seu sonho de recuperar as terras da família – devastadas pela vassoura-de-bruxa, praga que adoece as árvores de cacau, apodrecendo o fruto, no final dos anos 80 -transformar-se numa realidade sólida.

Amêndoas de cupuaçu, planta da mesma família do cacau usada pela AMMA para a produção do “chocolate” de cupuaçu, o Theobroma Grandiflorum
Fundada em 2007, a AMMA hoje produz cerca de 300 toneladas/ano de mais de 10 tipos de chocolate (inclusive o meu preferido, o Theobroma Grandiflorum, que usa amêndoa de cupuaçu no lugar do cacau), está presente em centenas de pontos de venda pelo país e acaba de inaugurar a Casa do Sabor, em São Paulo, conjunção de centro de estudos, desenvolvimento de receitas e doceria da marca (leia mais sobre ela AQUI).

Eu e minha máscara de chocolate 85% cacau: ritual de batismo para quem visita a fábrica da AMMA, em Salvador
Sou fã da marca desde seu início e por isso foi tão bacana conhecer a pequena fábrica, em Salvador, e a lindíssima fazenda em Itacaré, cuja produção é 100% orgânica. E, olha, Diego tem razão de chamá-la de “floresta encantada”… As fotos estão aí pra isso.

À beira do Rio de Contas fica a fazenda de cacau da AMMA. Belíssimo cenário.

Malhada, um dos cachorros que vivem no que Diego chama de “Floresta Encantada”
As frutas e amêndoas são impressionantemente saudáveis, sem nenhuma presença do fungo causador da vassoura-de-bruxa.

Cacau ainda verde e a beleza das macias folhas novas
A produção é toda cabruca, ou seja, os cacaueiros crescem em harmonia com a mata nativa, método que ajuda na preservação da riqueza do solo, que permanece, safra após safra, nutrido com todos os componentes necessários. E, importantíssimo, preserva a vegetação original.

Aqui, o corte do cacau cujas amêndoas seguem para a extração do “mel” – suco da polpa que escorre em um balde e tem que ser tomado rápido porque oxida facilmente. Delicioso, naturalmente doce.

Local no qual o cacau é cortado para as amêndoas seguirem pra fermentação, secagem e posterior torra. As cascas das frutas são deixadas para secar e depois viram parte da compostagem que adubará as árvores
Pragas são tratadas e prevenidas com um “adubo-defensor” natural que contém mais de 90% dos elementos da tabela periódica e é composto por pó de rochas do sertão, água do mar da região, entre outras coisas, que é pulverizado nas árvores.

Cacau (amêndoas ainda recobertas de polpa) e seu mel. Só pegar a caneca e beber
Fico feliz em ver de perto que é possível associar produtos de qualidade, conservação do meio ambiente e lucro. Espero, de verdade, que exemplos como esse se multipliquem: o mundo está precisando. Cada vez mais e com urgência.
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